A prevenção à violência contra a mulher passa a integrar as atividades da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Rede Municipal de Ensino (Reme). A Secretaria Municipal de Educação (Semed) iniciou, na Escola Municipal Osvaldo Cruz, um projeto-piloto que leva o tema para a rotina escolar por meio de atividades pedagógicas, formação de professores e ações de escuta e acolhimento.
A iniciativa segue as diretrizes da Lei nº 14.164/2021, que estabelece a inclusão, nos currículos da educação básica, de conteúdos relacionados aos direitos humanos e à prevenção das violências contra crianças, adolescentes e mulheres. Em Campo Grande, a proposta é trabalhar o tema de forma transversal, relacionando as discussões às habilidades já previstas nos diferentes componentes curriculares.
“A nossa intenção é que ela seja parte do currículo, que faça parte das habilidades e não fuja de um tema transversal dentro da escola. A gente vê muita necessidade de trabalhar essa questão, principalmente na EJA, onde há uma grande concentração de mulheres que vêm em busca dos estudos, do mercado de trabalho e de autonomia”, explicou Marinês Soratto, chefe da Divisão de Políticas Específicas da Educação (DPEE).
A escolha da EJA considera o perfil diverso dos estudantes. A Escola Municipal Osvaldo Cruz atende exclusivamente essa modalidade, com alunos a partir dos 15 anos e de diferentes gerações, o que permite abordar tanto a prevenção quanto o enfrentamento de situações de violência.
“O adolescente está iniciando essas questões de relacionamento e os adultos já estão nelas. Então, conseguimos trabalhar tanto a prevenção quanto o enfrentamento. A EJA também reúne diferentes experiências e, muitas vezes, situações de vulnerabilidade”, afirmou Fabiane Brito de Araújo, técnica da DPEE.]
Atividades
O projeto será desenvolvido até outubro e inclui encontros sobre a Lei Maria da Penha, tipos de violência, machismo estrutural, dados sobre violência contra a mulher, cultura de paz e relacionamentos saudáveis. As ações envolvem palestras, rodas de conversa, dinâmicas e produções realizadas pelos próprios estudantes.
Os professores também participam de um processo de formação e recebem orientações para relacionar os temas às disciplinas que lecionam. As atividades produzidas pelos alunos poderão ser utilizadas no processo de avaliação.
“Queremos mostrar que as práticas pedagógicas, o referencial curricular e a formação docente possibilitam que esses assuntos entrem no nosso currículo. Essa é a principal diferença do projeto”, destacou Marcela Ortiz Leal, técnica da DPEE.
Apoio psicossocial
A iniciativa conta com a parceria do curso de Psicologia da Unigran Capital. Estagiários do 10º semestre de Psicologia Social participam dos encontros e oferecem escuta e acolhimento aos estudantes.
Os servidores também poderão contar com o apoio da Divisão de Atenção à Saúde do Servidor (DASS) caso surjam demandas relacionadas aos temas trabalhados durante o projeto.
A ação está alinhada ainda aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente o ODS 4, que trata da educação de qualidade, e o ODS 5, voltado à igualdade de gênero e à redução da violência e da discriminação.
“Além de tudo o que o projeto trabalha, estamos dialogando com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Temos o ODS 4, voltado à educação de qualidade, e o ODS 5, que trata da igualdade de gênero e busca eliminar formas de violência e discriminação”, explicou Gisele Ferreira da Silva de Oliveira, técnica da DPEE.
Projeto-piloto
A Semed vai acompanhar o desenvolvimento das atividades na Escola Municipal Osvaldo Cruz para avaliar os resultados e identificar possíveis ajustes. A expectativa é que, após a avaliação do projeto-piloto, a iniciativa possa ser ampliada para outras unidades da Reme.

