Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS
Texto: Ascom FGM
“Patrimonializar: para que e para quem?” é o tema da 7ª Jornada do Patrimônio Cultural de Salvador, que será realizada pela Fundação Gregório de Mattos (FGM) entre 20 e 22 de agosto, para marcar a passagem do Dia Nacional do Patrimônio Cultural. A data é celebrada em 17 de agosto, em homenagem ao nascimento de Rodrigo Melo Franco de Andrade, fundador do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. (Iphan). As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até 19 de agosto por meio da plataforma Even 3 (https://goo.su/xqOix).
A Jornada do Patrimônio Cultural vai ocupar três locais de referência na preservação da memória e do patrimônio cultural da capital baiana: o Terreiro Casa Branca, no Engenho Velho da Federação; a Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho; e a Casa das Histórias de Salvador, no Comércio. A programação foi elaborada para promover o debate sobre os sentidos da preservação, o fomento à memória e a educação patrimonial na cidade, aproximando a gestão pública, os especialistas e a comunidade.
A abertura, no dia 20 de agosto, coloca em pauta a preservação dos bens materiais e imateriais e a superação do pensamento eurocêntrico no campo do patrimônio cultural. A programação terá início com a palestra da vice-reitora da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Jamile Borges, que vai abordar a ampliação das perspectivas sobre o patrimônio, destacando a importância de reconhecer a diversidade de sujeitos, narrativas, saberes e referências que integram a construção e a preservação do patrimônio cultural.
Em seguida, ocorre uma mesa de diálogo com a participação do antropólogo Ordep Serra, do promotor de Justiça Alan Cedraz e da arquiteta Vilma Patrícia, sob mediação da secretária Municipal da Reparação, Isaura Genoveva. A programação do primeiro dia será encerrada com uma visita guiada ao Terreiro Casa Branca, que há 40 anos se tornou o primeiro templo religioso não católico tombado no Brasil.
No dia 21 de agosto, as atividades migram para a Fundação Casa de Jorge Amado – que também celebra 40 anos de história em 2026 – e focam nas possibilidades de fomento ao patrimônio cultural. A agenda inclui uma mesa de debate sobre as estratégias para preservação da memória, com a escritora Paloma Amado, a doutoranda em Artes Visuais Aislane Nobre e a roteirista e diretora audiovisual Silvana Moura.
No período da tarde, os participantes vão visitar o histórico casarão do Pelourinho, que
foi transformado em espaço cultural para receber o acervo de Jorge Amado, e assistir ao documentário “Alápini, a herança ancestral de Mestre Didi”, seguido de bate-papo com uma das diretoras do filme. Ao final da tarde, será feita uma homenagem ao restaurador José Dirson Argolo e ao professor Mário Mendonça, pelas décadas de atuação na preservação do patrimônio histórico e cultural de Salvador.
O encerramento do encontro, no dia 22 de agosto, acontece na Casa das Histórias de Salvador e será dedicado à Educação Patrimonial. O mirante do espaço receberá a cerimônia de premiação dos mestres e mestras contemplados pelo Edital Culturas Populares: Festas e Mestres. Após a entrega das placas, uma roda de conversa vai reunir os mestres e mestras premiados para compartilhar vivências e refletir sobre o papel da transmissão de saberes às novas gerações.
À tarde, os participantes embarcam em uma escuna pela Baía de Todos-os-Santos para a atividade “Salvador vista do mar — território, memória e patrimônio”, que propõe uma nova perspectiva sobre a história e a formação da cidade a partir de sua paisagem marítima, tendo como provocação: “O que o mar nos permite enxergar sobre a história de Salvador que não vemos em terra?”.
A gerente de Patrimônio da FGM, Roberta Ventura, afirma que o evento propõe uma reflexão sobre a diversidade de temas relacionados ao patrimônio cultural. “Ao abrir a programação com um debate sobre a superação do pensamento eurocêntrico, reafirmamos a importância de ampliar os olhares sobre o patrimônio, reconhecendo os diferentes saberes, memórias e identidades que constroem Salvador. A escolha de espaços simbólicos reforça esse propósito, aproximando o debate dos territórios e de lugares que são referências da nossa memória e diversidade cultural”, diz.
PROGRAMAÇÃO
DIA 1: 20/08 | TERREIRO CASA BRANCA
9h às 10h: Recepção / Credenciamento
10h às 10h30: Abertura / Falas institucionais
10h30 às 12h: Palestra de abertura
A superação do pensamento eurocêntrico no campo do patrimônio cultural
Palestrante: Jamile Borges (UFBA)
12h às 14h: Intervalo para almoço
14h às 16h: Mesa 1: Preservação do Patrimônio Cultural: políticas, práticas e sustentabilidade
Palestrantes: Ordep Serra (Terreiro Casa Branca), Alan Cedraz (MPBA/NUDEPHAC) e
Vilma Patrícia (EtniCidades/UFBA)
Mediadora: Isaura Genoveva (Terreiro Casa Branca e SEMUR)
16h às 17h: Visita guiada ao Terreiro Casa Branca
Encerramento
DIA 2: 21/08 | FUNDAÇÃO CASA DE JORGE AMADO
9h às 10h: Recepção / Credenciamento
10h às 12h: Mesa 2: Patrimônio Cultural e Fomento: estratégias para preservação, valorização e desenvolvimento
Palestrantes: Paloma Amado (escritora), Aislane Nobre (doutoranda em Artes Visuais)
e Silvana Moura (roteirista e diretora audiovisual)
12h às 14h: Intervalo para almoço
14h às 15h: Visita guiada à Fundação Casa de Jorge Amado
15h30 às 17h: Exibição do documentário Alápini, a herança ancestral de Mestre Didi,
seguida de bate-papo com Silvana Moura, diretora do documentário
17h às 18h: Homenagem aos professores José Dirson Argolo e Mário Mendonça
Encerramento
DIA 3: 22/08 | CASA DAS HISTÓRIAS DE SALVADOR
9h às 9h30: Recepção
9h30 às 10h: Premiação dos Mestres contemplados no Edital Culturas Populares:
Festas e Mestres
10h às 12h: Mesa 3 / Roda de conversa: Guardiões dos Saberes: o papel dos mestres e mestras das culturas populares na educação patrimonial
Mediador: Chicco Assis (SECULT Salvador)
12h às 14h: Intervalo para almoço
14h às 17h: Aula sobre o patrimônio cultural de Salvador a bordo de uma escuna
Encerramento
